quinta-feira, 15 de agosto de 2019

[P] - 2

Penso sobre as consequências dos meus momentos de raiva... Eu vivo de indignações e mantenho-me em silêncio ao máximo que posso para não manifestar tais sentimentos e pensamentos, mas, em alguns momentos eu não consigo guardar dentro de mim tantas coisas.
Tenho um péssimo hábito de guardar rancor sobre coisas que fizeram a mim e que eu nessas determinadas ocasiões não fiz nada para revisar todo o estresse, todas as ofensas, todas as atitudes que fizeram a mim e que me causaram mal.
Antes eu costumava respeitar quem não me respeitava e por conta disso, eu acabava com um acúmulo de rancores por aguentar tantas coisas em silêncio.
Nos dias de hoje eu já não tenho mais tal costume. Não consigo mais guardar tantas coisas dentro de mim e tentar digerir tais atos de maldade e desrespeito contra a minha pessoa em silêncio.
Nos últimos tempos, algo em mim se rebelou e adquiriu parte da minha personalidade que reflete na para as coisas externas. Parte de mim que agora é fácil ser visto aos olhos dos outros.
É curioso ver que todos nós aguentamos tais coisas até certo ponto. Somente algo muito forte, algo que nos ameace de forma maior pode realmente nos fazer com que mantenhamos tais forças  suprimidas, nossos sentimentos, nossas angústias, nossos ressentimentos.


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terça-feira, 13 de agosto de 2019

[P]

A vida para muitos é somente aquele típico "mais do mesmo." Um fluxo monótono da vida conhecido como cotidiano.
Acordamos, cumprimos os mesmos rituais, vamos aos locais para fazermos o que precisamos, vermos quase sempre as mesmas pessoas, retornamos ao lar, e no dia seguinte, recomeçar.
Então, o que nos torna tão especiais no mundo?
A vida é realmente um contínuo ato de fazermos o que nós mesmos nos impomos a cumprir para vivermos nos padrões sociais?
Nos colocamos nesse estado porque é o que todos fazem, então temos que fazer igual aos outros? Do contrário, se não seguimos o mesmos padrões de vida monótona nos tornamos vagabundos?
Não estou estimulando ao ócio, somente questionando a vida que levamos. Porque eu vejo tudo isso de uma forma deprimente.
Mas é claro, sempre haverá alguém para dizer que a vida é isso mesmo e que nós precisamos fazer porque precisamos "viver."
E a única forma de "viver" é essa? Um fluxo continuo de atos e de tempo monótono decorrente da repetição dos atos?
E qual é a resposta para isso?
Escrevo tudo o que vocês estão lendo para plantar em nossas mentes novas ideias, novas formulações de como podemos viver uma vida que não siga somente esse padrão de dedicação máxima do nosso tempo ao trabalho, para que tenhamos uma casinha, um automóvel, e uns trocados, sendo que quase não paramos em nossas casas, quase sempre estamos numa dependência de rápida locomoção tóxica ao ambiente e ao trabalho, sendo que boa parte dos nossos trocados nós gastamos com imprevistos e com a saúde que perdemos do que com o que gostaríamos realmente de gastar.
Meus caros, a vida é muito curta...

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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O Idiota de Dostoievski

Acredito que independente do preparo emocional de cada um, não há ninguém com quem eu compartilhei partes dessa história que não se sentiram minimamente impactados.
Me aprofundei tanto nesta obra de Dostoievski que, tal obra veio a se tornar o meu trabalho de TCC em filosofia na universidade.
A obra em si já começa mostrando como funcionam os jogos de interesse dos seres humanos por conta da ambição dos personagens, seja por status, por dinheiro, ou por ambos.
O protagonista da história é como um ser de outro mundo, jogado em um ambiente onde os jogos de interesses falam mais alto e tarda a ele perceber.
O Príncipe Míchkin é uma pessoa jovem, mas que aparenta aos outros como uma pessoa de pouca vivência nos padrões sociais por conta de seu comportamento.
Ele busca por sempre ver a bondade nas pessoas e tenta sempre reprimir todas as coisas ruins que dirigem a ele. Pois para ele, a bondade do ser deve prevalecer. Não que ele diga isso de uma forma racional, mas, indiretamente, seus comportamentos o fazem transparecer esse grau elevado da moralidade do ser, da sua bondade aos outros e da sua inocência por conta da inexperiência com o hábito da grande maioria das pessoas no ambiente em que se dirige.

Eu sempre digo que, a literatura russa em sua maioria é de um em ar pesado, porque sempre aprofunda-se em grandes questões filosóficas, melancólicas e existencialistas.

Em O Idiota eu sempre  há sempre a questão da incompreensão tanto do príncipe que por sua natureza pura e inocente não compreende o que leva as pessoas a fazerem o que fazem, quanto aos outros que não compreendem como pode tal pessoa naquele tempo ainda não ter consciência de que o mundo não funciona com pessoas tendo tal comportamento que o Princípe Míchkin possuí.




Ele [Schneider] me disse que se havia convencido inteiramente de que eu mesmo sou uma criança perfeita, isto é, plenamente criança, que apenas pelo tamanho e pelo rosto eu me pareço com um adulto, mas que pelo desenvolvimento, a alma o caráter e talvez até a inteligência eu não sou um adulto e assim o serei mesmo que viva até o sessenta anos. Eu ri muito: é claro que ele não tem razão, porque, que criança sou eu? No entanto existe aí apenas uma verdade; eu realmente não gosto de estar com adultos, com pessoas, com grandes – isso eu notei faz tempo –, não gosto porque não sei. (DOSTOIEVSKI, 2002 , pp. 98-99)



Há uma comparação do Príncipe com Jesus Cristo e com Dom Quixote, tal qual comparação que o acompanha do começo até ao fim da trama, onde há o personagem que que busca manter-se nobre e correto em suas ações e que também é amável, compreensivo e incapaz de ver maldade em seus semelhantes, e, que quando agem de tal forma, não tarda em compreendê-los e perdoá-los de imediato por tais atos.


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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Calmo e complexo silêncio

07/08/2019
00:46
Me encontro quieto por fora, inquieto por dentro....
Mais cedo eu havia dado carona para uma vizinha que levava o corpo de sua mãe para ser enterrado.
Eu não tinha muito vínculo com a pobre senhora morta, então, enquanto os familiares se despediam uma última vez do corpo prestes a ser enterrado, eu procurava no cemitério por lápides de membros de minha família, mas... Como fazia muito tempo que não aparecia por lá, não obtive sucesso com a procura. Enfim... enquanto eu aguardava a cerimonia para trazer a pobre mulher e suas amigas de volta para casa, fiquei lá naquele lugar calmo e quieto. Pensei no quanto aquele lugar era agradável, não por conta de nenhuma perturbação do lugar com a ligação de ser um ambiente pesado, mas, pura e simplesmente por ser um lugar de total quietude quando lá não está ocupado por presença das pessoas vivas.
Silêncio... Silêncio e mais silêncio.
Nada ali demonstra repulsa ou estranheza quando aprendemos a entender o ambiente em que estamos.
Eu ali, pensando sobre o motivo de quase sempre evitarmos por se fazer presente nesse lugar, somente quando temos por dever ou obrigação levar alguém que morreu até lá, mas... Quase nunca vamos até lá quando não há tal ocasião que justifique a nossa presença ali.
Por uns minutos, enquanto eu aguardava... Pensei que talvez fosse bom para mim visitar mais vezes aquele lugar, até mesmo para ler um pouco ou para pensar na vida, sem me importar com os comentários maldosos que provavelmente venham a me fazer por não escolher qualquer outro lugar do que aquele ali onde só há por convenção social o direito de estar ali os mortos e o silêncio, quase que o esquecimento.
Não, eu não tenho nenhum prazer em ter esses hábitos vistos minimamente como "esquisito" para as pessoas.
Só me veio em pensamento que esses lugares não são em quase nada diferentes do que qualquer outro lugar, e sim, somos somente nós mesmos que nos colocamos esses medos, esses preconceitos e receios de tais lugares.
Nos fazermos presente até mesmo no local do "descanso dos mortos" é algo que precisa ser encarado de forma menos estranha.
É quase como se nós sempre evitássemos os lugares que nos fazem perceber a nossa finitude no tempo, talvez na existência e até mesmo nos pensamentos. 


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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Nós, similares de Hefesto

Hefesto, uma criatura de aparência peculiar. Um ser que como muitos de nós fez por merecer o devido respeito.
Filho de Zeus e Hera, rejeitado por sua mãe, e que através da sua habilidade com a forja e com sua esperteza ganhou o seu lugar junto aos demais deuses no Monte Olimpo.
Fora traído por sua esposa e superou tal dor e vergonha empenhando-se ao trabalho, tal qual era admirado por muitos.
Contei brevemente essa história para falar sobre nós mesmo e o quanto que as nossas vidas se assimilam com a história de Hefesto.
Por toda vida, temos quase que por instinto a necessidade de mostrarmos o nosso valor de termos um propósito na vida e conseguir executá-lo.
Nosso trabalho e nossas funções são o que nos dá a sensação de capacidade e como consequência, o respeito e a admiração dos outros pelo o que fazemos.
Hefesto conquistou seu respeito por mostrar suas virtudes que transcendiam a sua aparência. Fora por vezes rejeitado e em si mesmo soube como direcionar sua dor, sua vergonha e sua humilhação através de seu trabalho, através de suas ações.
Personificação da eficácia, de uma certa forma, nos inspira sabermos de tal criatura mitológica.
E muitos devem perguntar qual é a finalidade dessa história compartilhada. Bom, o que de fato me levou a falar sobre Hefesto foi por conta da minha própria intriga pessoal ao ver de forma mais humanizada do que de fato ela é, Acredito que todos nós temos essa personalidade de engenhosidade, criatividade, busca pelo foco e a vontade de mostrarmos sermos dígnos de respeito e até valorizados por nossas feitorias.
Somos seres imperfeitos, isso é indiscutível. Temos em nós a falha dos seres pensantes, elevarmos em nós mesmos as intrigas por conta do ego.
Temos em nós a necessidade de aprovação pelo o que somos e pelo o que fazemos, logo temos um profundo ressentimento quando nós temos a rejeição de terceiros, e, muitos de nós, como Hefesto, descontamos nossas frustrações, nossos ressentimentos e a nossa ferida no ego através do nosso trabalho, na nossa dedicação e na nossa forma de buscarmos sermos acolhidos em diversos sentidos por conta do nosso esforço criativo, nossa esperteza e nossa sabedoria sobre as coisas materiais e as nossas fragilidades emocionais. 



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domingo, 4 de agosto de 2019

Vejo, penso e repenso o pensamento.

Sorocaba, 04/08/2019

Cheguei hoje em um estado de exaustão mental, algo sempre presente em minha vida.
Fui ensinado a pensar, repensar, pensar o pensamento de forma exaustiva e isso tem um bom sentido na definição da minha mente e da forma como eu me comporto de forma externa, mas também me traz longos dias de dores de cabeça, desconstrução e reconstrução de ideias e remodelação do meu senso crítico.
Por que estou dizendo isso... porque o processo de elevação de nosso mecanismo crítico, lógico e reflexivo precisa ser constantemente reavaliado.
Nossa personalidade não está imune de mudanças, e não deve nunca estar nesse estado!
Entretanto, hoje ela me cobrou um preço muito alto. Nada nocivo, nada prejudicial, nada que uma noite bem dormida não resolva, mas, me vejo completamente num estado de crise existencial, o que muito me agrada, esses períodos de perturbação da mente que desestabiliza o ser e nos joga num estado em que ou lidamos com elas e "subimos um nível," ou ficamos num estado de estagnação da mente em um problema.
O que nos faz sermos melhores, é quando identificamos as soluções de nossos problemas.

Lembro que eu tinha anotado uma vez em um dos meus cadernos de anotações e pensamentos:
"Da estagnação não se retira nada, somente o ser estagnado."
De fato, só retiramos algo quando nós mesmos venhamos a nos retirarmos primeiramente desse estado de estagnação.

Lembro-me dos meus tempos na universidade, era único ver todas aquelas pessoas do grupo de filosofia.
Todos sempre agrupados em grupos menores dentro da sala enquanto o professor não chegava.
Poucos dispersos, e muitos envoltos logo cedo em discussões acaloradas sobre novas formas de vermos os problemas trabalhado dentro da sala. Poderíamos facilmente sairmos de uma roda de membros discutindo o Marx, para migrarmos em outra que ao lado discutia o niilismo e toda sua força na vida das pessoas.
Todos desde muito cedo, por volta de 06:15 já estavam em profundo ato de diálogo e estresse por conta de confronto de ideias filosóficas.
Foi dessa época que eu tirei até hoje esse comportamento de sempre me pegar em pensamentos e levá-los a um estado de dissecação dos pensamentos que fora pensados.

O preço é dor, estresse, indignação, raiva, alegria, perturbação, praticamente todos os sentimentos vêem de forma muito intensa, mas a recompensa disso é uma certeza de que após da crise, quando a maré de nossa mente se acalma, nos tornamos um pouquinho mais capazes.

Somos seres pensantes, e como seres pensantes, precisamos sempre encontrar novas formas de se pensar, de indagar, de criticar e principalmente, de se recuperar.


Site da minha querida amiga Juliana Vannucchi e colega nos tempos de universitários
http://www.acervofilosofico.com.br/

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Pensando e reforçando pensamentos.

Vivo dias de respiração profunda e com um silêncio quase sempre presente. É tempo de refletir...

Quando ao fato de sermos seres únicos e capazes de fazermos tantas coisas no mundo, mas... o que realmente trazemos em nós que possa ser determinado como grandioso?
Acredito que quanto mais nós desenvolvemos em nós as qualidades que já temos e nos esforçamos para desenvolver habilidades novas em nós, isso sim! É grandioso! Mas... não é fácil... e justamente por não ser fácil, faz com que muitos deixem de tentar e passam a ter uma vida estável em todos os sentidos. O que leva ao "conforto do não fazer." Não procurar melhorar, não procurar ser. Ser... somente ser, mas sem ser quase nada. Vidas paradas.
É claro que nós em nossas vidas temos os nossos momentos de uma quase estagnação. Levamos a vida de uma forma mais moderada ao ato de fazer justamente o necessário para o básico.
Não é uma totalidade, não é generalização.
Por todo o mundo existem pessoas agora mesmo dando o máximo de si para serem melhores, seja de forma positiva ou negativa, não importa. Existem pessoas ao longo do mundo tentando se superar ou em superar outras pessoas.

Temos uma passagem tão curta no mundo, e, mesmo assim nós quase nunca nos damos conta do quanto que o nosso tempo se esgota fácil. Não, isso não é uma publicação para melhorar o desempenho do tempo de ninguém. São somente reflexões sobre o tempo e sobre nós mesmos.

Pensar em nós...
Sempre sentirmos capacidade em nós no decorrer da vida até o nosso fim.
Enquanto há ar dentro de nossos pulmões e enquanto o coração bate e a mente ainda se auto reconhece em pensamento.
Enquanto somos capazes de sermos quem somos, então somos capazes de sermos seres melhores.
Lembrar-se disse, é a grande questão de tudo.
Por muitas vezes nos esquecemos que nós somos seres de grande potencial, é como se a potência do universo, a potência no mundo nos tomasse como seus filhos. Só precisamos nos lembrarmos mais vezes sobre isso.

O que me traz alegria é saber que não temos posse do conhecimento pleno das coisas.
É um dos motivos que faz com que eu não esteja sempre encostado.
Já me disseram uma vez que a curiosidade é a alma do filósofo, não concordo muito com isso, mas sei reconhecer parte disso como verdade.
Foi a curiosidade que me levou para a filosofia, é a curiosidade que movimenta os pensamentos das pessoas, ela é uma das primeiras causas em nosso avanço.
Parece que quando crianças, somos como a própria essência da curiosidade, e isso nos faz aprender absurdamente mais rápido do que quando nos tornamos adultos. Porque é ela que causa em nos aquele apetite, aquela agitação mental de que nos faz querer saber mais sobre as coisas que nos envolvem.
Com o passar do tempo, parece que a curiosidade se mantém, mas, precisa ser quase que constantemente provocada de forma intencional.
O tempo nos atrofia em diversos sentidos...
Criatividade que na infância é natural como qualquer coisa simples acaba por se tornar algo que necessita de constantemente de nossa atenção.

Como tudo na vida depois que crescemos, as coisas necessitam de um esforço maior da nossa parte.
Não é algo de tudo ruim, afinal, é através dos esforços que também recebemos as mais prazerosas recompensas.

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Breve pensamento sobre liberdade

Eu estava pensando sobre liberdade há alguns dias, sobre o quanto sabemos a respeito desta palavra de valor tão forte em nossas vidas.
Liberdade nos dias de hoje percorre um caminho inserto quanto ao puro entendimento do que ela representa. É uma palavra que levanta discussões até mesmo nos dias de hoje.
Por exemplo, desde o momento em que nascemos até o momento em que morremos, passamos por estágios de classificação de nossa existência. Um processo de controle que chamamos em meu país de "Atestado de nascença" e "Atestado de óbito".
Quando nascemos, nos tornamos um número, e, quando morremos, viramos estatística.
Até quando saímos de casa com nossos celulares , mesmo sem ativarmos os dados móveis, wi-fi ou a localização, ainda há como sabe por onde passamos, onde estivemos quando saímos.
Pelo ponto de vista da escolha, na filosofia antiga já fora dito que "liberdade é a vontade do mais forte", entre tantas outras coisas.
Quando paramos para analisarmos melhoro conceito das palavras, temos uma melhor percepção daquilo que falamos.
Não, não estou querendo deixar ninguém paranóico e nem ao menos conspirar contra o governo (risos). Trata-se apenas de uma reflexão mais aprofundada sobre tal palavra e o que ela nos representa diariamente.
Sim! Liberdade existe, mas, do meu ponto de vista, não a vejo num estado absoluto.
É claro que temos em nós a liberdade sobre decisão de conduta mas na plenitude da palavra, se houver estado absoluto da mesma, acredito eu que são poucos os que conseguem alcançá-la em sua totalidade.
                                                                                                                   
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sábado, 3 de agosto de 2019

Perder

"Isso foi há muito tempo. Nadia, agora, está casada: casou-se, ou casaram-na, pouco importa, com o secretário da Câmara da Nobreza e tem três filhos. Jamais esqueceu o tempo em que íamos andar de trenó, quando o vento levava até ela palavras de amor: - Amo-a, Nadia. - É, no momento, a mais feliz recordação, a mais tocante, a mais bela de sua vida...
E eu, agora, mais amadurecido, não compreendo por que dizia tais palavras, por que me divertia com aquela brincadeira".

                                                                                 Estória Alegre. 

                                                                                                              Tchecov.


Eu sempre me pego em pensamentos melancólicos e lembrando-me de coisas que já não estão mais presentes. Mesmo assim, eu aprendi a seguir sem tornar as perdas como motivadores da desmotivação.
Acredito que uma das piores dores nas nossas vidas é por conta de termos que continuar transitivos e contínuos na vida enquanto que ao mesmo tempo vemos pessoas morrendo, outras tomando rumos distantes, se afastando de nós.
Muitos não sabem como lidar com a perca, com a partida de algo ou alguém que fora especial em sua vida, seja um animal, um objeto, um parente ou um companheiro, todos estamos fadados ao fato de que não podemos manter tudo perto de nós e poucos sabem como lidar com tudo isso.

Sobre aceitar o fim de um amor.

Ainda me recordo de alguns casos onde me disseram: "Tenho medo de vê-lo(a) com outra pessoa", "Eu ainda o amo", "ele(a) foi o amor da minha vida."

Ouvi várias vezes essas frases e eu sempre me perguntei o que ainda fazia com que as pessoas permanecessem em sentimentos por pessoas que escolheram por sair de suas vidas.
Acredito que seja uma pergunta sem uma resposta definida.
Mas as pessoas precisam saber que elas escolheram isso, e, isso não significa que que elas precisem acumular em si toda a culpa por tal acontecimento.
Tudo parte de escolhas.
O que realmente importa é a forma como lidamos com tudo isso. Cada pessoa descobre em si a formula, os mecanismos para não tornarem além de quem partiu, mas também o seu tempo de vida como coisas perdidas.
A vida caminha para frente. O mundo está indo para frente. Não há formula para retornarmos nossas vidas ao ponto em que tínhamos algo ou alguém connosco.


Sobre aceitar o fim de uma vida.


Quando eu escrevi acima que me pegava em pensamentos melancólicos, se dá por valer nesse ponto em questão.
A morte para mim é sempre algo aceitável e ao mesmo tempo é tratado de forma amargurada.
Milhares de anos como espécies e ainda não aprendemos a aceitar inteiramente o enigma da morte.

Hoje eu tenho uma nova visão da morte, menos perturbada, mais serena e passiva.
Aprendi a admirar a finitude humana, nossas limitações como espécie tanto na vida quanto na morte.
Há algum tempo eu reestabeleci em minha família o "valor dos mortos" por assim dizer.
Somos como muitos de famílias brasileiras com um passado fragmentado, cheio de pedaços faltando em nossas histórias, mas, eu voltei a falar mais sobre os mortos de minha família como forma de respeito, afeto e lição. Afinal, como dizem: "Alguém só morre quando nos esquecemos dela."
Todos que se foram nos deixaram com aprendizado, com heranças não só materiais.
Lidar com a morte de quem amamos é difícil. Recordar-se também, mas nós também precisamos aprender a lembrar daquilo que nos faz falta, nos traz tristeza e sem deixarmos de seguir adiante.
Tanto os vivos que escolhem sair de nossas vidas, quantos os mortos que partem sem nos dar mais um tempo de sua presença, todos nos deixam heranças, e, todos, até mesmo os que morreram ainda estão de alguma forma caminhando para algo, da forma e da maneira que for.

Para terminar, uma frase de Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

Retorno

Sorocaba, 03/08/2019

Após anos em exílio, sem dar notícias por aqui e também em outras redes sociais, cá estou!

Posso garantir que fora necessário afastar-me por conta do caos em que a minha vida estava. Não que eu veja o caos de forma ruim, só vi como necessário dar-me um tempo por conta dessa fase de minha vida. 

Sem mais explicações, deixo nessa pastagem um pequeno pedido de desculpas pela ausência, um agradecimento por quem ainda mantém contato e que ainda procura por rastros meus nas redes sociais e deixo aqui a certeza de que manterei frequentemente este blog atualizado.