quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Calmo e complexo silêncio

07/08/2019
00:46
Me encontro quieto por fora, inquieto por dentro....
Mais cedo eu havia dado carona para uma vizinha que levava o corpo de sua mãe para ser enterrado.
Eu não tinha muito vínculo com a pobre senhora morta, então, enquanto os familiares se despediam uma última vez do corpo prestes a ser enterrado, eu procurava no cemitério por lápides de membros de minha família, mas... Como fazia muito tempo que não aparecia por lá, não obtive sucesso com a procura. Enfim... enquanto eu aguardava a cerimonia para trazer a pobre mulher e suas amigas de volta para casa, fiquei lá naquele lugar calmo e quieto. Pensei no quanto aquele lugar era agradável, não por conta de nenhuma perturbação do lugar com a ligação de ser um ambiente pesado, mas, pura e simplesmente por ser um lugar de total quietude quando lá não está ocupado por presença das pessoas vivas.
Silêncio... Silêncio e mais silêncio.
Nada ali demonstra repulsa ou estranheza quando aprendemos a entender o ambiente em que estamos.
Eu ali, pensando sobre o motivo de quase sempre evitarmos por se fazer presente nesse lugar, somente quando temos por dever ou obrigação levar alguém que morreu até lá, mas... Quase nunca vamos até lá quando não há tal ocasião que justifique a nossa presença ali.
Por uns minutos, enquanto eu aguardava... Pensei que talvez fosse bom para mim visitar mais vezes aquele lugar, até mesmo para ler um pouco ou para pensar na vida, sem me importar com os comentários maldosos que provavelmente venham a me fazer por não escolher qualquer outro lugar do que aquele ali onde só há por convenção social o direito de estar ali os mortos e o silêncio, quase que o esquecimento.
Não, eu não tenho nenhum prazer em ter esses hábitos vistos minimamente como "esquisito" para as pessoas.
Só me veio em pensamento que esses lugares não são em quase nada diferentes do que qualquer outro lugar, e sim, somos somente nós mesmos que nos colocamos esses medos, esses preconceitos e receios de tais lugares.
Nos fazermos presente até mesmo no local do "descanso dos mortos" é algo que precisa ser encarado de forma menos estranha.
É quase como se nós sempre evitássemos os lugares que nos fazem perceber a nossa finitude no tempo, talvez na existência e até mesmo nos pensamentos. 


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