sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O Idiota de Dostoievski

Acredito que independente do preparo emocional de cada um, não há ninguém com quem eu compartilhei partes dessa história que não se sentiram minimamente impactados.
Me aprofundei tanto nesta obra de Dostoievski que, tal obra veio a se tornar o meu trabalho de TCC em filosofia na universidade.
A obra em si já começa mostrando como funcionam os jogos de interesse dos seres humanos por conta da ambição dos personagens, seja por status, por dinheiro, ou por ambos.
O protagonista da história é como um ser de outro mundo, jogado em um ambiente onde os jogos de interesses falam mais alto e tarda a ele perceber.
O Príncipe Míchkin é uma pessoa jovem, mas que aparenta aos outros como uma pessoa de pouca vivência nos padrões sociais por conta de seu comportamento.
Ele busca por sempre ver a bondade nas pessoas e tenta sempre reprimir todas as coisas ruins que dirigem a ele. Pois para ele, a bondade do ser deve prevalecer. Não que ele diga isso de uma forma racional, mas, indiretamente, seus comportamentos o fazem transparecer esse grau elevado da moralidade do ser, da sua bondade aos outros e da sua inocência por conta da inexperiência com o hábito da grande maioria das pessoas no ambiente em que se dirige.

Eu sempre digo que, a literatura russa em sua maioria é de um em ar pesado, porque sempre aprofunda-se em grandes questões filosóficas, melancólicas e existencialistas.

Em O Idiota eu sempre  há sempre a questão da incompreensão tanto do príncipe que por sua natureza pura e inocente não compreende o que leva as pessoas a fazerem o que fazem, quanto aos outros que não compreendem como pode tal pessoa naquele tempo ainda não ter consciência de que o mundo não funciona com pessoas tendo tal comportamento que o Princípe Míchkin possuí.




Ele [Schneider] me disse que se havia convencido inteiramente de que eu mesmo sou uma criança perfeita, isto é, plenamente criança, que apenas pelo tamanho e pelo rosto eu me pareço com um adulto, mas que pelo desenvolvimento, a alma o caráter e talvez até a inteligência eu não sou um adulto e assim o serei mesmo que viva até o sessenta anos. Eu ri muito: é claro que ele não tem razão, porque, que criança sou eu? No entanto existe aí apenas uma verdade; eu realmente não gosto de estar com adultos, com pessoas, com grandes – isso eu notei faz tempo –, não gosto porque não sei. (DOSTOIEVSKI, 2002 , pp. 98-99)



Há uma comparação do Príncipe com Jesus Cristo e com Dom Quixote, tal qual comparação que o acompanha do começo até ao fim da trama, onde há o personagem que que busca manter-se nobre e correto em suas ações e que também é amável, compreensivo e incapaz de ver maldade em seus semelhantes, e, que quando agem de tal forma, não tarda em compreendê-los e perdoá-los de imediato por tais atos.


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